Tocha, com 10 de Força e Vigor, está esfaqueando todo o Deserto com seus punhos

Que Fallout 4 não será o último jogo lançado há alguns anos a chegar ao Nintendo Switch é tão óbvio quanto a água ser molhada. Com o lançamento do console, já vimos versões de jogos como Yakuza 0, Hitman: World of Assassination e até mesmo a confirmação de que o ritmo não diminuiria com os lançamentos mais recentes de Resident Evil 7 e 8.
Já temos há algum tempo no mercado laptops capazes de rodar esse tipo de jogo, como o Steam Deck, além de toda a onda de PCs com recursos de console de marcas como Lenovo, ROG e MSI; mas é inegável que ainda existe um certo fascínio e interesse em ver como jogos considerados exclusivos para desktop rodam no novo console híbrido da Nintendo. E foi por isso que, quando recebi a chave para testar Fallout 4, apesar do certo cansaço que sentia em relação aos jogos de Todd Howard e sua equipe, iniciei o download e mergulhei no título.
A ideia era analisar os aspectos técnicos do jogo, algo que, desde o início, se mostrou bastante bom, embora provavelmente melhore ainda mais no futuro. Se estivermos falando do Switch 2 “conectado à base”, estamos falando de resolução em torno de 1080p se você optar por 40 fps, 720p com 60 quadros por segundo e, talvez o mais surpreendente, 1440p a 30 fps, facilmente superior à versão original do PS4.
Aguardando o DLSS
Fiquei menos satisfeito com o desempenho no laptop, com taxas de quadros variando de 1080p a 30fps, de 810p a 990p a 40fps e de 504p a 900p a 60fps; e não por causa desses números específicos, mas porque a Bethesda confirmou que o suporte a DLSS chegará no futuro, e por enquanto temos que nos contentar com o TAA, que deixa o jogo com uma aparência borrada, especialmente se você quiser 60 quadros por segundo.

E isso é tudo sobre a seção de gráficos, porque, enquanto eu me envolvia na minha (quarta?) jogada de Fallout 4, o que começou como dúvidas e até risadas incontroláveis, alimentadas pela nostalgia ao ver Codsworth preso entre algumas caixas 20 minutos após o início do jogo, acabou se transformando na prova de que, apesar de suas falhas, a Bethesda é capaz de oferecer uma enorme rejogabilidade.
Eu mesmo joguei Skyrim, Oblivion e este Fallout 4 de várias maneiras ao longo dos anos. Não chego ao extremo do meu amigo Miguel, que em Skyrim conseguia “interpretar” na dificuldade mais alta como um arqueiro silencioso que não disparava uma flecha sem o veneno apropriado, mas gosto de experimentar quase todas as armas e árvores de habilidades mágicas disponíveis nesses jogos. Por um capricho, simplesmente para testar Fallout 4 no Switch e passar o tempo, decidi dar uma chance a algo que não usava há todos esses anos: luta corpo a corpo.

10 de Força, 10 de Vigor e o resto dos pontos distribuídos quase aleatoriamente: essa foi a build usada por Tocha, minha personagem que tem mais em comum com Saitama, de One Punch Man, do que com um sobrevivente comum do deserto. Não é a maneira ideal, porque já vi métodos mais bem elaborados para subir de nível e melhorar os atributos de forma razoável em sites como o YouTube. Mas conferir esses vídeos e planilhas antes de começar a jogar teria sido uma perda de tempo e…
O interessante de jogar assim é que não tive aquela sensação típica de RPG de estar dentro de um videogame, cheio de sistemas, números e mecânicas, como se estivesse “interpretando” um personagem, graças às enormes limitações. Nem mesmo pegar armas dos inimigos me fez apreciar outros sistemas que às vezes eu ignorava, como os consumíveis para cura e aumentos temporários de atributos, e redescobrir um jogo que conheço como a palma da minha mão.
Vou continuar dando uma chance para Tocha enquanto estiver me divertindo, porque, afinal, é disso que se tratam os videogames. Precisamos perder o medo de tentar decifrar jogos, de sucumbir à espiral da competitividade e dos jogos online que quase nos obriga a otimizar tudo, tirando a diversão de um hobby que, acima de tudo, deveria ser lúdico.
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