O jogo de sobrevivência e exploração é uma grata surpresa, mesmo em acesso antecipado

Já fazia muito tempo (com exceção de Leon S. Kennedy e seu Requiem) que eu não perdia a noção do tempo jogando videogame. Talvez a última coisa que eu esperasse fosse que isso acontecesse com um jogo em acesso antecipado, muito menos com um que, se você olhar com atenção, não parece tão diferente de Minecraft, um jogo excelente, mas com mais de quinze anos de história. Mas Everwind conseguiu tocar exatamente a parte certa do meu cérebro para fazer minutos parecerem horas, e como o último Resident Evil, sem reinventar a roda, mas com uma série de escolhas de design perfeitamente executadas.
Desenvolvido pela Enjoy Studio e publicado pela Bohemia Interactive, um nome de peso no mundo dos jogos para PC, Everwind deve ser mais ou menos familiar para todos. Não é de se admirar, visto que possui mais de 300.000 adições à sua lista de desejos no Steam e foi uma das demos de maior sucesso no Next Fest de outubro passado. O conceito, como mencionei, está longe de ser revolucionário: jogabilidade no estilo Minecraft, exploração de masmorras e combate no estilo Skyrim, tudo combinado com o uso de uma aeronave totalmente personalizável para viajar entre as ilhas flutuantes que compõem o jogo.
Essa combinação de conceitos preexistentes para criar algo novo não é necessariamente ruim; na verdade, é bastante comum na criação de novos gêneros, como visto em jogos como Vampire Survivor e PUBG. O que acontece aqui é que Everwind consegue adaptar o que funciona em cada uma de suas inspirações, algo que demonstra uma habilidade para identificar mecânicas promissoras, mas talvez o mais interessante seja como as combina, de forma que tudo flua de uma maneira que vi em poucos títulos com tantas possibilidades.
Design a serviço do jogador
Além de terem jogado por várias horas antes do lançamento do acesso antecipado, disponível na próxima terça-feira, a imprensa teve acesso a um breve bate-papo com os desenvolvedores, onde eles nos informaram sobre os principais recursos do jogo, bem como conferir como o jogo fica após cerca de 10 a 15 horas de jogo.

O tutorial é muito simples, porém incrivelmente eficaz. Você aparece no topo de uma torre, e cada nível que desce ensina algo novo: primeiro o combate, depois a interação com o ambiente usando ferramentas, em seguida, equipando-se e criando itens, e finalmente um pequeno “teste” com alguns inimigos. O guia não para por aí, pois logo você aprende a criar as partes básicas de uma nave voadora e como começar a construir a sua própria.
É realmente impressionante como Everwind combina uma ampla gama de possibilidades, mecânicas e atividades, sempre buscando facilitar a compreensão do jogador sobre o que está acontecendo, ao mesmo tempo que deixa perguntas sem resposta que o incentivam a continuar explorando e se aprofundando. Um exemplo disso é a luneta, um item disponível desde o início com três níveis de ampliação e dois “extras”: um medidor de distância em blocos até o alvo e uma lâmpada que indica se há uma masmorra na ilha. Simples de usar, útil e brilhantemente projetada.
Ele não inventa, ele reinventa.
O sistema de progressão, que existe e inclui um sistema de níveis, é talvez o que eu mais gosto no jogo, mas é justamente isso que torna as melhorias substanciais. Existem habilidades que mudam completamente a forma como você interage com o ambiente, como um scanner de inimigos ou a capacidade de ver o valor em moedas de cada item no seu inventário. Durante minha conversa com os desenvolvedores, eles mencionaram que a ideia era oferecer maneiras de expandir o jogo, não apenas com diferentes armas ou inimigos, mas também com elementos que alteram significativamente a jogabilidade, como um paraglider que permite se mover mais rápido pela ilha.

Sem falar de outro vetor de progressão: aprimorar o núcleo da nave. Isso está ligado à coleta de diversos materiais em biomas acessíveis, permitindo melhorar a velocidade, a altitude e o tamanho da nave, e constitui o principal ciclo de jogabilidade de Everwind. A dificuldade dos ambientes, e suas recompensas, aumentam à medida que você sobe, resultando em possíveis melhorias para a nave e permitindo que você continue progredindo. Você começa em uma ilha cercada por um mar infinito, mas em algumas horas estará voando pelos céus sem nunca ter visto a superfície do planeta.
Uma das coisas que mais gostei na conversa com a equipe de Everwind foi a honestidade deles sobre o principal problema no desenvolvimento de jogos, um que não é discutido com frequência, mas é crucial: torná-lo divertido. Eles nos contaram que, depois de algum tempo trabalhando no jogo, seu maior medo era que ele funcionasse perfeitamente, fosse objetivamente bom, mas cometesse o maior pecado dos jogos: tornar-se entediante.

Para contrariar isso, a solução foi tão simples quanto exigente: aumentar enormemente a densidade de conteúdo, atividades e surpresas. Sim, as ilhas são geradas proceduralmente, mas encontram o equilíbrio perfeito entre serem exploradas em apenas meia hora e ainda oferecerem tudo o que você precisa para se divertir.
Isso também aponta para algo incomum nos lançamentos atuais em acesso antecipado, especialmente algo que vimos funcionar contra um concorrente direto como Hytale: Everwind está repleto de conteúdo. Sim, é claro que haverá mais após a versão 1.0, mas agora o jogo tem números satisfatórios: 7 biomas com seus respectivos sub-biomas, armas variadas, progressão completa… Aparentemente, este acesso antecipado tem como foco a otimização do jogo, algo que já considerei bastante satisfatório jogando em meu computador de gama baixa a média, exemplificado pelos meros cinco gigabytes de espaço em disco que ele requer.
Estamos em uma indústria onde é difícil prever quais títulos ficarão de um lado ou de outro da tênue linha entre “será um grande sucesso” e “será um sucesso estrondoso”. No entanto, considerando seu sucesso em termos de listas de desejos, a forma como explora o conteúdo e os objetivos de um jogo histórico como Minecraft, e a sabedoria de lançar um jogo com muito mais conteúdo do que um concorrente direto como Hytale, acredito que Everwind tem tudo para se tornar um fenômeno; um daqueles jogos que nos farão estampar manchetes sobre seus jogadores simultâneos em vez de nos preocuparmos com seu futuro.
Quer encontrar os melhores preços de games na internet? Conheça a VenezabrGAMES! Descontos em jogos, e muito mas!
Visite: https://www.venezabrgames.com/





Add comment